08 março, 2009

Corpo, arte e tecnologias

As aulas do mestrado começaram, e com elas as leituras, os estudos, as descobertas. Esse final de semana me deparo com estudos de alguns textos de Edvaldo Couto, que discute a questão da "arte, corpo e tecnologias". O que dizer? Que estou angustiada apenas em ler os relatos e análises. E olhe que eu fiz o favor de deletar as imagens, porque só em olhar já tenho "agonia". O texto "Bioarte - Estética de corpos mutantes", a articulação entre esse fatores são detalhados em cada linha escrita.

Trata-se de uma análise da construção social do corpo por meio de obras de três artistas: Stelarc, Orlan e Gunther. Nessa análise fica evidenciado o "corpo" como uma grande tela de arte. Com detalhamentos e sofisticação, possibilitando exibições que ultrapassa as "fronteiras da pele". E nessa exibição que adentra as fronteiras da pele, articula-se as possibilidades e potencialidades das tecnologias: seja com a tecnologia invadindo o corpo e funcionando dentro dele não como uma protése, e sim, como um ornamento estético e assim superando os limites do corpo; seja pela utilização do próprio corpo como material principal para intervenções artísticas, em que Orlan oferece o "corpo para a arte", e possibilita "cortar, abrir, cutucar, implantar, fechar, costurar" tudo sendo exibido em tempo real para milhares de pessoas; ou por fim com o corpo sendo apresentado como arte através de anatomias decompostas, com corpos mortos e apresenta-se a superação de limites, em deixar o corpo transparente sem as zonas de sobras ou invisibilidade.

Enfim, tudo em favor de uma considerada "arte". Com a exibição do corpo e intensa exploração comercial das imagens e com uma minunciosa intervenção técnica e científica. E essa exibição , revela corpos vivos ou mortos adentrando o campo da arte!

2 comentários:

Adriane disse...

Oba!
já estava com saudades dos teus posts!
Eu tb tenho dúvidas sobre a beleza da arte de Orlan... mas uma coisa eu tenho certeza: ela consegue mecher com qualquer um!

e eu fico me perguntando: se nosso corpo faz parte de nossa identidade, como esta muda de "cutucarmos" ele? Ou será que nosso corpo é apenas uma barreira física que carregamos junto de tudo o resto que somos? Se não tivéssemos esta "barreira física" conseguiríamos expressarmos melhor quem nós somos? e será que somos uma coisa só???

fique bem com as provocações!

bjkas

Edvaldo Souza Couto disse...

Sule E adriana,

as questões comentadas por vocês são ótimas. Mas vejam bem: se as identidades são múltiplas e fluídas elas acompanham as mutações sociais e corporais. Se "tudo o que é sólido se desmancha no ar" porque as identidades permaneceriam sempre iguais? Bj.